Não acho grande piada aos miúdos irem todos vestidos de igual no desfile de Carnaval. Até acharia se fossem os próprios a produzir os disfarces na escola. Assim não. Mas, regras são regras, e o tema deste ano foi os índios. Até já tínhamos o disfarce de Elsa comprado, porque ela queria, mas ficou para o Carnaval de casa que, por azar, deve vir acompanhado de chuva e frio.
Verdade seja dita, ela tem mesmo cara de índia.
sexta-feira, 1 de março de 2019
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
FRANCISCO
Quando somos crianças não sabemos nada da vida. Aquilo que seremos, as lutas que vamos travar, com quem nos vamos cruzar. Quando ele nasceu, eu mal sabia o que era o autismo. A primeira vez que o segurei no colo tinha 20 anos. Nunca me passou pela cabeça o que aquele bebé viria a ser. Nunca imaginei como seria dura a jornada.
Quando percebemos que algo estava errado com ele, quando chegou o diagnóstico do autismo, confesso que aligeirei. Ele ia dar a volta àquilo, pensei. Comecei a interessar-me pelo tema, investiguei, li, queria saber mais. Precisava de compreender o que ele sentia, qual era a origem do sofrimento dele, como poderia ajudá-lo. Na ignorância reside o estigma e o preconceito, e eu queria ser diferente. Ele merecia isso. Hoje sinto que, de alguma forma, consigo ter uma ligação com ele, pela forma como me olha, me toca, como se soubesse que me preocupo com ele, como se visse em mim a compreensão que não vê em todos.
À medida que fui pesquisando sobre o tema, muitas das minhas dúvidas foram esclarecidas. Outras, estão até hoje sem resposta. A verdade é que nunca perdi a esperança. Sabia de histórias de outras crianças que conseguiam comunicar. Então, porque não?
Os anos foram passando e o Francisco cresceu. Acalmou um pouco, parece conseguir controlar melhor o mau estar que sente. Foi adquirindo competências e registando progressos lentos mas nada de verdadeiramente significativo. Até agora.
O Francisco sabe escrever.
A descoberta foi ocasional, na escola. E de uma palavra isolada, começaram a surgir frases, pensamentos, sentimentos. E de repente somos invadidos por este turbilhão de emoções que eu própria tenho dificuldade em exprimir. É uma euforia, um arrepio, é incredulidade e alegria, é esperança, é medo. De repente percebo que em todas as conversas ele estava ali, a absorver, a ouvir. E fico horrorizada. E se eu disse alguma coisa que o magoou? E agora? Como lidar com isto?
É um processo de assimilação, à medida que os dias passam e a comunicação é mais e mais efetiva. É um momento de emoção indescritível e, ao mesmo tempo, de alguma ansiedade quanto ao que o futuro lhe poderá reservar. E se isto é assim para mim, não consigo imaginar como será para os pais. Penso muitas vezes nos meus tios, principalmente na minha tia, que é mãe, provavelmente a melhor de todas. Porque me contava as sardas quando eu era pequenina, porque me ensinou a escrever o nome e a contar os números. Porque é, sem sombra de duvida, a melhor pessoa que conheço. Um modelo a seguir.
E não consigo evitar esta emoção que sinto ao escrever estas linhas, porque sei que ela merecia, mais do que qualquer pessoa no mundo, que a vida lhe retribuísse um dia tudo o que ela dá em troca.
SERRA DA ESTRELA
Desde que a Carolina nasceu que nunca mais fomos à Serra da Estrela. Já tínhamos ido uma vez com amigos e outra vez com a Iara, quando ela tinha precisamente 5 anos. Dessa vez não correu nada bem. A miúda não alinhou em nada. Não queria escorregar porque depois tinha de subir e dizia que estava cansada. Ficamos num hotel muito foleiro na Covilhã onde (mal) dormimos os 3 numa cama minúscula. A miúda não queria comer nada. Enfim, foi um fim-de-semana muito complicado, talvez por isso tivéssemos demorado tanto até decidirmos lá voltar.
Fomos com a família toda atrás e apanhamos tempo bom. Deu para divertir muito. A Carolina sozinha fez a festa e atirou as canas. Cansou-me a mim e ao pai porque é uma fonte inesgotável de energia. Nunca se cansou e não queria vir embora de maneira nenhuma. Quando finalmente a conseguimos arrastar para o carro, caiu exausta e dormiu 3 horas seguidas.
Fomos com a família toda atrás e apanhamos tempo bom. Deu para divertir muito. A Carolina sozinha fez a festa e atirou as canas. Cansou-me a mim e ao pai porque é uma fonte inesgotável de energia. Nunca se cansou e não queria vir embora de maneira nenhuma. Quando finalmente a conseguimos arrastar para o carro, caiu exausta e dormiu 3 horas seguidas.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
AS 48H MÁGICAS
Já disse aqui, vezes sem conta, que a Carolina tem um feitio difícil. É teimosa, impulsiva, quer mandar em toda a gente, não aceita um não. Como ficou doente e esteve uns dias sem ir à escola teve oportunidade para agravar esse comportamento, estando em casa, sem as rotinas habituais.
Resultado: tem feito mais birras que o normal. No domingo à noite, quando a chamei para ir para a cama fez o espetáculo do costume, só que em dobro. Se às vezes lhe dou uma palmada no rabo ou me zango com ela, nesse dia não fiz nada disso. Sentei-me no chão das escadas sem dizer nada, só a olhar para ela, enquanto gritava e chorava sem parar. Fiquei ali largos minutos, com ar desiludido, até que ela lá se acalmou. Nessa altura perguntei-lhe o que é que ela tinha ganho com tamanha birra e disse que estava a sentir-me imensamente triste e com muita vontade chorar.
Agarrou-se ao meu pescoço e, como habitualmente, pediu desculpa várias vezes. Lá lhe expliquei que as desculpas só fazem sentido quando não voltamos a cometer os mesmos erros e que pedir desculpa para voltar a fazer o mesmo no dia seguinte não vale de nada.
Prometeu-me que se ia portar bem, que não ia mais fazer birras e eu lá assenti com a cabeça, sem acreditar em nenhuma palavra dela.
Desde essa conversa passaram 48 horas e a Carolina tem sido exemplar. Não faz birras para dormir, não faz birras para se vestir e eu, faço um grande teatro a elogiar o comportamento dela. Bem sei que tudo isto pode mudar já logo à noite mas so far so good, por isso, fico a fazer figas para que a época de tréguas se prolongue por mais uns dias ;)
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
A POBRE DA MÁ RESPOSTA
Aos 5 anos aquele feitiozinho sacana quer ganhar força. Não lhe dou grande margem mas às vezes deixo-a esticar-se um bocado só para ver até onde vai.
A Carolina tenta impor-se em todas as circunstâncias, não aceita um NÃO com facilidade. Responde e contra-argumenta a toda a hora e, mesmo quando já não tem argumentos, usa o "porque não" ou o "porque me apetece". Eu confesso que se há momentos em que faço um grande esforço para conter a vontade que tenho de a esfrangalhar, há outros em que lhe acho imensa graça.
Ainda assim, tem a perfeita noção dos limites. Basta eu começar a contar até 3 que ela percebe que acabou a margem para se esticar e tem mesmo de fazer o que lhe mando. Lá obedece, a muito custo, de trombas e braços cruzados, para 5 minutos depois estar a sorrir e agarrada ao meu pescoço.
É o melhor deste mundo!
A Carolina tenta impor-se em todas as circunstâncias, não aceita um NÃO com facilidade. Responde e contra-argumenta a toda a hora e, mesmo quando já não tem argumentos, usa o "porque não" ou o "porque me apetece". Eu confesso que se há momentos em que faço um grande esforço para conter a vontade que tenho de a esfrangalhar, há outros em que lhe acho imensa graça.
Ainda assim, tem a perfeita noção dos limites. Basta eu começar a contar até 3 que ela percebe que acabou a margem para se esticar e tem mesmo de fazer o que lhe mando. Lá obedece, a muito custo, de trombas e braços cruzados, para 5 minutos depois estar a sorrir e agarrada ao meu pescoço.
É o melhor deste mundo!
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
SE CALHAR É MELHOR NÃO
Quinta-feira, 22:30
O Ricardo está deitado a adormecer a Carolina. No beliche de cima está a Iara. Eu estou no quarto a olhar para o intercomunicador. Discutem nomes caso viessem a ter um irmão/irmã. A Iara lança Mara, Tiara e Tiana e a Carolina diz Jéssica. O Ricardo quer Ricardo Junior.
Estão a ver porque é que não tenho outro filho?
O Ricardo está deitado a adormecer a Carolina. No beliche de cima está a Iara. Eu estou no quarto a olhar para o intercomunicador. Discutem nomes caso viessem a ter um irmão/irmã. A Iara lança Mara, Tiara e Tiana e a Carolina diz Jéssica. O Ricardo quer Ricardo Junior.
Estão a ver porque é que não tenho outro filho?
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
É TÃO SIMPLES
Obrigada
Por favor
Desculpa
A Carolina sabe dizer estas 3 palavras desde que aprendeu a falar. Sempre insisti muito com ela para que as usasse mesmo que ainda fosse muito pequena para compreender o seu significado. Entretanto surgiu o "com licença" e, hoje, ai de quem não diga com licença em casa que ela não se cala.
A Carolina usa estas palavras sem reservas. E é bonito de ver. Por trás daquela turbulência toda, da personalidade forte, é uma menina humilde. E isso é mais importante para mim do que saber sentar-se e estar quieta enquanto come ou usar garfo e faca sem que o arroz caia na toalha.
Pedir desculpa é um ato de humildade. É perceber que as ações dela tiveram uma consequência negativa e prejudicaram outra pessoa. É compreender o erro e voltar atrás para o emendar. Porque na vida estamos sempre a tempo de reconhecer que erramos, pedir desculpa e fazer diferente. E essa lição, eu quero muito que ela aprenda desde cedo, para que possa evitar alguns dissabores ao longo da vida.
Por favor
Desculpa
A Carolina sabe dizer estas 3 palavras desde que aprendeu a falar. Sempre insisti muito com ela para que as usasse mesmo que ainda fosse muito pequena para compreender o seu significado. Entretanto surgiu o "com licença" e, hoje, ai de quem não diga com licença em casa que ela não se cala.
A Carolina usa estas palavras sem reservas. E é bonito de ver. Por trás daquela turbulência toda, da personalidade forte, é uma menina humilde. E isso é mais importante para mim do que saber sentar-se e estar quieta enquanto come ou usar garfo e faca sem que o arroz caia na toalha.
Pedir desculpa é um ato de humildade. É perceber que as ações dela tiveram uma consequência negativa e prejudicaram outra pessoa. É compreender o erro e voltar atrás para o emendar. Porque na vida estamos sempre a tempo de reconhecer que erramos, pedir desculpa e fazer diferente. E essa lição, eu quero muito que ela aprenda desde cedo, para que possa evitar alguns dissabores ao longo da vida.
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